Almas que brilham escondem-se sob casacos de simplicidade. Brilham em síntese e antítese. Logo, ironia. Mas que ironia singela, doce e instigante que a do ser humano... A diferenciar os que marcam dos que apenas passam.
O que seus olhares escondem? Inteligência. E esse sorriso aberto? Franqueza. Ah, sim. Essa não se esconde. Mas bem que poderia ser exemplo. Antídoto contra a blasfêmia da hipocrisia nossa de cada dia.
Por isso é especial. Quem se faz diferente por dentro não precisa de casca de borracha nem sorriso de barbie. Se não entendo, me desespero. Ela se limita a rir desse desespero. Que não é só meu, porque na verdade ri de toda essa ironia palpitante em almas dissimuladas, esforçadas em ser um rascunho mal-acabado de si próprias.
Ela é e ponto. Melhor, reticências. A dizer que a vida segue aberta como no curso de rios que se cruzam a todo instante. De perto, mar sem fim. De longe, fluxo de energia a irrigar de consciência uma multidão de robôs alienados por um mundo de faz-de-conta. Não deixa de ser cômico que sejamos esboços encharcados de orgulho ambulante. E seu único orgulho seja se encharcar de si mesma.
Admiro essa capacidade de observação e mais, de traduzir o que ao seu redor. Muitas coisas são difíceis, quase impossíveis, de serem descritas em palavras sem parecer meloso ou exagerado. Você consegue.
ResponderExcluirE sua alma brilha. Não por seu talento evidente com as palavras, mas por sua capacidade de tornar inteligível o sensível.