Super Utópico
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Luz e sombras
Certo dia, um grupo de turistas perdeu-se numa caverna escura. Foram horas de apreensão até que um dos integrantes pediu desesperadamente que lhes viesse alguma ideia, alguma voz que lhes ajudasse a sair dali. E o grupo ouviu uníssono: acendam a luz que está com vocês.
Enquanto a maior parte do grupo gastou as últimas cargas de suas lanternas para iluminar paredes do labirinto, um deles parou e deu voz a um sentimento que lhe dizia onde estar a saída. Caminhou solitário na escuridão sem pensar, mas convicto de que o fim estava próximo. Assim chegou em poucos minutos a um facho de luz.
Deu-se conta da mensagem inicial. Grandes soluções para nossos enigmas volta e meia estão diante dos nossos olhos, mas é preciso fazer brilhar a nossa luz. Não a que esperamos chegar num passe de mágica - afinal onde o mérito sem esforço? - mas a centelha que brota quando nos conectamos aos nossos pensamentos mais positivos. Essa é a nossa verdadeira conexão com nossos princípios vitais. Orienta desde o ser vivo mais rudimentar, se aprimorando nos reinos seguintes para se transformar em instinto, sensação e intuição.
Ela brilha quando desaceleramos nosso ritmo artificialmente imposto pelas exigências de uma sociedade voraz. Basta parar por alguns instantes, recolher-se e elevar o pensamento. Elevar não significa necessariamente rogar a um Deus, ou teríamos excluídos da plenitude os que nele não creem. É sintonizarmos as ideias num patamar de quietude e serenidade para, então, agir sob a percepção clara em lugar das ideias pré-concebidas e das emoções desenfreadas.
No conto, a lanterna que o grupo acende pode ser entendida como a luz que muitos buscam fora de si, crendo mais nos conceitos engendrados de fora para dentro do que os construídos a partir da centelha de cada um. As soluções artificiais em nosso dia-a-dia quase sempre aparecem na forma de fuga - de nossas convicções, de nosso passado ou de nossa felicidade, que tantas vezes sacrificamos em nossas autopunições. E mesmo os que pretensamente alegam coragem de algum modo podem estar em fuga, armando-se de espadas e escudos contra o mundo para esconder a fraqueza de sua luta diante de si próprios.
Que brilhe sempre a nossa luz, mas que, antes de tudo, saibamos onde e como encontrá-la.
domingo, 30 de outubro de 2011
Desapego
"Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". É curioso que se aceite o princípio para a ciência mas nem sempre para as nossas vidas. Não raro nos lamentamos pelas oportunidades perdidas, pelos entes queridos que se vão ou pelos relacionamentos que se desfazem.
Quase sempre, temos a certeza de que o fim é para sempre, uma inegável demonstração da pequenez de nosso espírito diante da lei geral da natureza: tudo está destinado a se renovar.
Certa vez, o discípulo perguntou ao mestre qual o principal ensinamento para que suportasse as grandes tristezas. "O mesmo das grandes alegrias: lembre-se de que um dia isso passa".
Nenhuma cidade foi reerguida sem ruínas, nenhuma teoria elaborada sem linhas apagadas, nenhuma fórmula escrita sem papéis jogados no lixo. Do mesmo modo, nenhum império foi eterno ou nenhuma verdade perene.
A vida nos ensina a ser fortes a todo custo, mas raramente vencemos o desafio do desapego. Desapegar-se é aprender a lidar com a morte nossa de cada dia. É entender que tudo o que nos cerca se renova, mas para isso precisa inevitavelmente falecer.
Ao lamentarmos os que nos deixam, nos esquecemos de que a vida não se encerra no último suspiro. Acredite-se ou não na continuidade da alma, na pior das hipóteses é inegável a permanência das ideias, dos pensamentos, do jeito de se expressar, em suma, do legado que nossa existência deixa a cada um que nos sucede.
Onde estão os que nos deixaram? Quem sabe em seus ensinamentos que repetimos como nossos, ou talvez no jeito de caminhar ou de abraçar. Nas histórias que com eles aprendemos e hoje repassamos? Como então dizer que morreram? Passaram, se transformaram e nos transformaram. Numa só expressão, se eternizaram como os grandes artistas que seguem inspirando nossa existência e dignidade.
Coragem, serenidade e sabedoria, convites para o desapego diário, primeiro passo de uma longa caminhada. Contemplar a efemeridade do presente é preparar o coração para a beleza do futuro. Nada nos pertence, tudo é da natureza. Dela veio e para ela sempre retornará.
sábado, 7 de novembro de 2009
Reflexos

Será que estamos preparados para sermos nós mesmos, com a alma despida dos preconceitos, medos e julgamentos? Conseguiremos caminhar pelas palavras sinceras sem nos ferirmos com espinhos ou escorregarmos na espuma da falsa brandura?
Um dia, um bom dia será simplesmente o desejo de um dia bom e não a expressão protocolar. A felicidade estará não em minha promoção, meu status ou nos elogios recebidos. Sonho com aquela manhã em que bastará olhar o sol pela janela e agradecer por cada amigo existir.
Aliás, ainda sonho fazer amigos com a pura intenção de sorrir na sua presença. De deixar o tempo passar suave como uma brisa de fim de tarde e compartilhar dos bons sentimentos sem, no entanto, esperar uma gota que não seja por pura sinceridade. Poderei dizer 'eu te amo' e ser verdadeiramente compreendido? Ou amar ainda será verbo intransitivo, exclusivo e excludente?
Se for, não verei o mesmo amor que criou os sorrisos, os olhares, o cantar de um pássaro ou a beleza da singularidade. Todo o mundo não passará de reflexos num espelho distorcido a nos aumentar o ego ou diminuir o moral.
Ainda assim, valerá a pena viver pelo simples prazer de aprender com cada pegada. Ora em desertos de solidão, ora em nuvens de esperança. De qualquer modo, sempre em passos de gratidão.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A banda
A banda do professor Rogério não tinha nada de Chico Buarque. Não tocava coisas de amor, tampouco evocava a transcendentalidade. Mesmo assim, o bairro todo parava para vê-la passar, porque o charme do desfile marcial e cadenciado do JEC era simplesmente existir.
Sete de setembro. Um grupo de não mais de 50 crianças de 7 a 11 anos alinha-se num sol escaldante para romper 500 metros da mais larga avenida de Niterói, convocados a vestir o pesado fardo branco e amarelo.
Pequenos ombros agora carregam toneladas de ferros dos bumbos, surdos, taróis, ou, como fazia Alexandre, de uma lira com quase metade de seu tamanho - levando a plateia a crer que uma simples batida naquele metal ressonante já passaria incontestável atestado de bravura.
A linha de frente tem baquetas grossas que rodopiam da direita para a esquerda e vice-versa atingindo os grandes alvos brancos. Os bumbos de Zé Carlos e de seu companheiro que a memória teima em não resgatar têm a escolta minha e de Daniela, em surdos igualmente ritmados.
Pá-pá-páparará. O som dos taróis não é exatamente criativo, mas considere a façanha de manter a mesma cadência por horas com roupas apertadas, chapéus, luvas e sob o impiedoso sol da quase primavera fluminense. São acompanhados por pratos um tanto quanto insensíveis, geralmente alunos mais relutantes em entrar para o time do professor Rogério convencidos pelo argumento de que são leves e só precisam se chocar um contra o outro...
De mais a mais, têm a beleza de sua evolução garantida por uma mistura exótica de elementos como as pesadas liras, as leves balizas e as nem leves nem pesadas carregadoras de pombas que teimam em não voar. Aí entra Gabriela com seu incorrigível mal-humor. Completam o time os alunos sem função na banda que ora carregam balões com a logo da escola, ora se vestem com o uniforme das Forças Armadas, como Isabella.
Natália e Carolina evoluem à minha frente, abrindo a apresentação da escola. Hoje, veria toda aquela leveza e amplitude de movimentos em trajes mínimos como uma afronta à marcialidade das minhas batidas na pele seca do surdo. Mas no alto dos meus 9 anos tudo parece se encaixar. Pensando bem, não parece nada. A única coisa em que consigo pensar naquela manhã são os gestos amplos de Rogério.
O regente e professor de educação física tem quase 2 metros, o que, pra uma criança, já se torna um elemento intimidador. Somam-se aí a voz grave e as ordens incisivas, e minha existência por 1 hora se justifica pelo árduo desafio de não deixar a baqueta cair.
Quando o microfone falho reverbera pela avenida apresentando o Jardim Escola Colméia (assim mesmo, com acento, porque reforma ortográfica passa bem longe daquele setembro de 91), nossas preocupações se resumem a parar de tocar em sincronia e encher nossos pulmões de ar para expelir o coro exaustivamente ensaiado: "hip-hip, urra! Colméia saúda Niterói".
Olhamos novamente para Rogério. Se tudo estiver bem, mais um sinal e trocamos a óbvia cadência 1 pela inventiva cadência 2. Não há nada além disso para os ritmistas, como pouco existe além de estrelas, pontes e espacates para as balizas - talvez aí se justifique o certo glamour dos tocadores de lira, que pelo menos se gabam de ter 7 ou 8 músicas diferentes em seu set list.
Tudo passa muito rápido. No fim do percurso, outra banda é apresentada, indicando que nosso show terminou. Mais um cumprimento protocolar e tudo volta a ser como antes. Crianças são donas de pipas, bicicletas, bolas de borracha e casinhas de boneca. Avenidas, porções de carros cercadas de prédios por todos os lados.
Sete de setembro. Um grupo de não mais de 50 crianças de 7 a 11 anos alinha-se num sol escaldante para romper 500 metros da mais larga avenida de Niterói, convocados a vestir o pesado fardo branco e amarelo.
Pequenos ombros agora carregam toneladas de ferros dos bumbos, surdos, taróis, ou, como fazia Alexandre, de uma lira com quase metade de seu tamanho - levando a plateia a crer que uma simples batida naquele metal ressonante já passaria incontestável atestado de bravura.
A linha de frente tem baquetas grossas que rodopiam da direita para a esquerda e vice-versa atingindo os grandes alvos brancos. Os bumbos de Zé Carlos e de seu companheiro que a memória teima em não resgatar têm a escolta minha e de Daniela, em surdos igualmente ritmados.
Pá-pá-páparará. O som dos taróis não é exatamente criativo, mas considere a façanha de manter a mesma cadência por horas com roupas apertadas, chapéus, luvas e sob o impiedoso sol da quase primavera fluminense. São acompanhados por pratos um tanto quanto insensíveis, geralmente alunos mais relutantes em entrar para o time do professor Rogério convencidos pelo argumento de que são leves e só precisam se chocar um contra o outro...
De mais a mais, têm a beleza de sua evolução garantida por uma mistura exótica de elementos como as pesadas liras, as leves balizas e as nem leves nem pesadas carregadoras de pombas que teimam em não voar. Aí entra Gabriela com seu incorrigível mal-humor. Completam o time os alunos sem função na banda que ora carregam balões com a logo da escola, ora se vestem com o uniforme das Forças Armadas, como Isabella.
Natália e Carolina evoluem à minha frente, abrindo a apresentação da escola. Hoje, veria toda aquela leveza e amplitude de movimentos em trajes mínimos como uma afronta à marcialidade das minhas batidas na pele seca do surdo. Mas no alto dos meus 9 anos tudo parece se encaixar. Pensando bem, não parece nada. A única coisa em que consigo pensar naquela manhã são os gestos amplos de Rogério.
O regente e professor de educação física tem quase 2 metros, o que, pra uma criança, já se torna um elemento intimidador. Somam-se aí a voz grave e as ordens incisivas, e minha existência por 1 hora se justifica pelo árduo desafio de não deixar a baqueta cair.
Quando o microfone falho reverbera pela avenida apresentando o Jardim Escola Colméia (assim mesmo, com acento, porque reforma ortográfica passa bem longe daquele setembro de 91), nossas preocupações se resumem a parar de tocar em sincronia e encher nossos pulmões de ar para expelir o coro exaustivamente ensaiado: "hip-hip, urra! Colméia saúda Niterói".
Olhamos novamente para Rogério. Se tudo estiver bem, mais um sinal e trocamos a óbvia cadência 1 pela inventiva cadência 2. Não há nada além disso para os ritmistas, como pouco existe além de estrelas, pontes e espacates para as balizas - talvez aí se justifique o certo glamour dos tocadores de lira, que pelo menos se gabam de ter 7 ou 8 músicas diferentes em seu set list.
Tudo passa muito rápido. No fim do percurso, outra banda é apresentada, indicando que nosso show terminou. Mais um cumprimento protocolar e tudo volta a ser como antes. Crianças são donas de pipas, bicicletas, bolas de borracha e casinhas de boneca. Avenidas, porções de carros cercadas de prédios por todos os lados.
domingo, 27 de setembro de 2009
Queijos e vinhos

Bendito o tempo que transforma leite em queijo e suco de uva em vinho.
A receita é tão simples quanto artesanal. Tão sofisticada quanto intuitiva. E dá certo.
Não é a força do meu braço que vai talhar o leite ou fermentar a uva prensada.
Quando vou colher as sementes em belas flores no meu jardim? Não sei. Só posso cuidar de não destruí-lo com as tempestades da ansiedade.
Joanna apareceu na minha vida como uma brisa de fim de tarde. Leve, serena, mas constante. Fez minhas flores quase-murchas parecerem lindos girassóis.
Todas apontaram para esse facho de esperança. Brilho intenso que brota da simplicidade em um sorriso transbordando verdade.
Queijos e vinhos derretem na boca sabedoria e maturidade. Atalhos de vida que levam à alma de uma química única.
Feliz quem tem uma farmacêutica a lhe fabricar pílulas de carinho, gotas de cumplicidade e doses homeopáticas de felicidade.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Hora de agradecer

Definitivamente, não posso reclamar do que recebi de Deus nessa vida. Saúde, paz, uma família maravilhosa, amigos e 27 anos bem vividos.
Minha infância me traz recordações maravilhosas. Caminhar pelas ruas de terra descalço, jogar futebol no campinho careca de Maria Paula, em Niterói, foram alguns dos presentes que Papai do Céu me deu através de minha mãe. Uma pessoa de amor incondicional, carinho ímpar e cuidados constantes com o bem-estar dos filhos. Aliás, com o bem-estar de todos os que sempre estiveram a sua volta.
Ali, na simplicidade dos dias e noites, no contato com gente das mais variadas classes sociais, pude viver uma infância e uma adolescência plena. Que se completou já em Icaraí, mais perto da parte central de Niterói. Tive uma banda com um grupo de amigos. Ensaiávamos na sala de casa. Minha mãe soube alimentar o sonho enquanto percebeu que ele não atrapalharia minha vida. Um dia, conversou com firmeza e doçura. E me fez mudar de rumo.
Uma mudança que curiosamente me afastou fisicamente dela. Estudando para o vestibular, me mudei para o Rio, atendendo a um chamado antigo de meu pai, com quem, aliás, sempre minha mãe teve ótima relação – mesmo depois de separados.
Passei para Comunicação na UFRJ, onde vivi experiências únicas. Amigos inesquecíveis e minha primeira namorada. Primeira de verdade. O primeiro beijo, as primeiras dúvidas de um relacionamento. E como Deus foi generoso! Deu-me a chance de estar com alguém especial como Andreia. Uma namorada que me mostrou caminhos no sentido mais literal. Despertou em mim uma paixão que nem eu sabia que tinha: caminhar em trilhas e conhecer a natureza.
Um dia nos separamos. Foram três anos inesquecíveis, mas era a hora. Hoje, ela está feliz. E a cada dia que eu falo com ela me sinto ainda mais contente por vê-la tomado o melhor caminho na vida.
Dentre os muitos motivos do término, o procedimento cardíaco em abril de 2005 que me deixou numa mesa cirúrgica acordado por duas horas levando pequenos choques no coração. Não posso reclamar de nada. Pelo que os próprios médicos disseram, no teste de esteira que revelou a arritmia, tudo poderia ter terminado. Mas continuou, pela graça do Pai, que me permitiu seguir a vida. E como aprendi. Recebi o carinho de familiares de Minas, daqui, de amigos e da Andreia. Mas percebi como aquilo causava sofrimento para todos. A família é pra sempre, mas os amores vêm e vão. E, acima de tudo, merecem ser felizes. Eu sabia que um dia chegaria a minha hora de ser. E não podia prendê-la.
Terminamos em 2005, no dia do meu aniversário - 17 de dezembro. Curiosamente, dez anos antes, na mesma data, vivia um dos dias mais especiais de minha vida, curtindo o único título brasileiro do meu time do coração, o Botafogo. Foi sofrido e me doeu muito, sobretudo pelos pais e familiares dela, pessoas de um caráter e compreensão com o meu quadro clínico impressionantes.
Minha vida seguiu com Márcia, alguém de quem sempre vou levar as melhores recordações possíveis. Uma mulher experiente, 36 anos, doce e carinhosa. Aprendi muito com o senso de doação e responsabilidade da Marcinha. Nos juntamos um ano após nos conhecermos. Vivemos juntos em uma ilha na Barra, onde eu trabalhava. A Gigóia foi mais um dos muitos presentes de Deus pra esse filho que errou tanto na vida... Um lugar acolhedor pela tranqüilidade. Não entram veículos, não há violência... barulhos, só o do vento nas plantas e o dos pássaros cantando.
Fiz amigos, tive uma casa e uma companheira. Nem tudo deu certo, mas curti muito. Os vizinhos eram maravilhosos, vivíamos em comunidade – no sentido mais estreito da palavra. A ajuda mútua, os almoços comunitários... Márcia esteve em todos esses momentos. Mas as turbulências eram muitas, se somaram ao problema do coração e um dia ela se foi.
Mais uma vez, recebi o apoio da minha família. O que mais me surpreendeu foi o carinho com que a família dela me tratou. Não apenas no momento em que a Marcinha foi embora, mas durante os dois anos em que estivemos juntos. Acolheram a mim como um filho, um neto, um irmão, enfim, como sou grato a eles!
Profissionalmente não tenho nada do que reclamar. Estagiei em lugares maravilhosos como a revista Ciência Hoje e o Sportv, onde recebi minha formação verdadeiramente e aprendi a amar televisão. Nesse sentido, só tenho a agradecer a pessoas como o Marcelo Barreto, que não só me encaminhou lá dentro como entendeu quando minha saúde não permitiu minha continuidade. Barreto me apresentou ao pessoal do Globoesporte.com assim que voltei a trabalhar. Pouco depois, me mudaria pra Barra, em dezembro de 2006.
Como repórter dos Jogos Pan-Americanos, contratado pelo próprio comitê organizador, tive uma experiência única. Ao lado de uma equipe de voluntários incrível, fiz amigos e tirei lições pra vida a partir da experiência na Arena Multiuso do Rio de Janeiro.
Se aprendi a ser uma eterna criança com minha mãe, meu pai me incutiu ainda mais responsabilidade e o senso de caridade com ações como a distribuição de sopa aos moradores de rua. Também foi com ele que comecei as atividades no espiritismo, um meio de autoconhecimento e alívio para a dor nos momentos mais difíceis.
De volta ao Sportv em novembro de 2007, graças ao convite de outros dois grandes amigos, o Armando Freitas e o Luiz Franco – o Lufi -, tive a chance de retornar ao meu lar profissional. Depois fui contratado para fazer parte do Sportv News, sob a coordenação do Chafi Haddad, um dos melhores chefes que já tive na vida, pela compreensão, firmeza, serenidade e conhecimento. O Sportv foi a sexta casa da minha vida. Lá passei por momentos maravilhosos e alguns de apreensão. Foi onde a doença se manifestou de forma mais intensa.
Por falar nela, acho que é o momento de agradecer também aos profissionais que me deram apoio, como a Sônia, o Daniel, o Antônio, a Verônica e os doutores Sérgio e Marcos. Todos me ajudaram a aliviar o peso das crises e, quem diria!, em meio a isso tudo, ter morado sozinho, voltado a trabalhar e, acima de tudo, entender o que se passava com o meu corpo.
Já cheguei a crer que tudo não passava de um pesadelo, já imaginei que a batalha estava perdida, mas entre vitórias e derrotas ficou a certeza de que nada é por acaso. O aprendizado que tirei desse sofrimento me ajudou a crescer muito. É quando me volto a Deus e agradeço novamente por essa existência.
Todos me ajudaram muito a ter 27 anos da melhor vida que eu podia, tanto espiritual quanto materialmente falando. E agora, que começo a me recuperar, sinto que é o momento de agradecer. Obrigado Pai, Mãe, Ângela, Marcelo, Gabi, Bella, Juninho, Gabriel, Andreia, Márcia, Cristina, Marilene, Sérgio, Baptista, Maria Sena, Sérgio Thiesen, Greici, Luiz, Josué, Barreto, Armando, Lufi, Chafi, Mari, Serra, Isabel, Victor, Ana Paula, Néia, Dani e tantos amigos que eu fiz em casa, no trabalho e grupos espíritas que participei. Obrigado ao Diego por viabilizar o sonho de entrar na faculdade e ensinar. Obrigado, Jô, por estar me ajudando a buscar a felicidade e me fazer tão bem!
Obrigado também aos meus avós - valeu, vó, sei que a senhora está olhando por nós agora -, tios, primos e parentes emprestados, todos lá de Minas (BH, Oliveira e Carmo da Mata), minha madrinha Luci e meu padrinho Nemésio. Como foram importantes pra mim e como tenho que agradecer a Papai do Céu por eles existirem. Às inúmeras falanges espirituais que me acompanham ao longo de minha existência, em especial meu Anjo da Guarda. E, finalmente, a um amigo especial que me acompanhou nos melhores e piores momentos da minha vida. Valeu, Felipe! Você foi meu braço direito. Sou eternamente grato pela tua alegria, companheirismo e fé.
Nada é por acaso. O importante é fazer dos pequenos momentos grandes aprendizados. A eternidade se constroi na linha tênue entre o espaço palpável e o tempo intangível. Deus abençoe a todos nós. Agora e sempre.
Minha infância me traz recordações maravilhosas. Caminhar pelas ruas de terra descalço, jogar futebol no campinho careca de Maria Paula, em Niterói, foram alguns dos presentes que Papai do Céu me deu através de minha mãe. Uma pessoa de amor incondicional, carinho ímpar e cuidados constantes com o bem-estar dos filhos. Aliás, com o bem-estar de todos os que sempre estiveram a sua volta.
Ali, na simplicidade dos dias e noites, no contato com gente das mais variadas classes sociais, pude viver uma infância e uma adolescência plena. Que se completou já em Icaraí, mais perto da parte central de Niterói. Tive uma banda com um grupo de amigos. Ensaiávamos na sala de casa. Minha mãe soube alimentar o sonho enquanto percebeu que ele não atrapalharia minha vida. Um dia, conversou com firmeza e doçura. E me fez mudar de rumo.
Uma mudança que curiosamente me afastou fisicamente dela. Estudando para o vestibular, me mudei para o Rio, atendendo a um chamado antigo de meu pai, com quem, aliás, sempre minha mãe teve ótima relação – mesmo depois de separados.
Passei para Comunicação na UFRJ, onde vivi experiências únicas. Amigos inesquecíveis e minha primeira namorada. Primeira de verdade. O primeiro beijo, as primeiras dúvidas de um relacionamento. E como Deus foi generoso! Deu-me a chance de estar com alguém especial como Andreia. Uma namorada que me mostrou caminhos no sentido mais literal. Despertou em mim uma paixão que nem eu sabia que tinha: caminhar em trilhas e conhecer a natureza.
Um dia nos separamos. Foram três anos inesquecíveis, mas era a hora. Hoje, ela está feliz. E a cada dia que eu falo com ela me sinto ainda mais contente por vê-la tomado o melhor caminho na vida.
Dentre os muitos motivos do término, o procedimento cardíaco em abril de 2005 que me deixou numa mesa cirúrgica acordado por duas horas levando pequenos choques no coração. Não posso reclamar de nada. Pelo que os próprios médicos disseram, no teste de esteira que revelou a arritmia, tudo poderia ter terminado. Mas continuou, pela graça do Pai, que me permitiu seguir a vida. E como aprendi. Recebi o carinho de familiares de Minas, daqui, de amigos e da Andreia. Mas percebi como aquilo causava sofrimento para todos. A família é pra sempre, mas os amores vêm e vão. E, acima de tudo, merecem ser felizes. Eu sabia que um dia chegaria a minha hora de ser. E não podia prendê-la.
Terminamos em 2005, no dia do meu aniversário - 17 de dezembro. Curiosamente, dez anos antes, na mesma data, vivia um dos dias mais especiais de minha vida, curtindo o único título brasileiro do meu time do coração, o Botafogo. Foi sofrido e me doeu muito, sobretudo pelos pais e familiares dela, pessoas de um caráter e compreensão com o meu quadro clínico impressionantes.
Minha vida seguiu com Márcia, alguém de quem sempre vou levar as melhores recordações possíveis. Uma mulher experiente, 36 anos, doce e carinhosa. Aprendi muito com o senso de doação e responsabilidade da Marcinha. Nos juntamos um ano após nos conhecermos. Vivemos juntos em uma ilha na Barra, onde eu trabalhava. A Gigóia foi mais um dos muitos presentes de Deus pra esse filho que errou tanto na vida... Um lugar acolhedor pela tranqüilidade. Não entram veículos, não há violência... barulhos, só o do vento nas plantas e o dos pássaros cantando.
Fiz amigos, tive uma casa e uma companheira. Nem tudo deu certo, mas curti muito. Os vizinhos eram maravilhosos, vivíamos em comunidade – no sentido mais estreito da palavra. A ajuda mútua, os almoços comunitários... Márcia esteve em todos esses momentos. Mas as turbulências eram muitas, se somaram ao problema do coração e um dia ela se foi.
Mais uma vez, recebi o apoio da minha família. O que mais me surpreendeu foi o carinho com que a família dela me tratou. Não apenas no momento em que a Marcinha foi embora, mas durante os dois anos em que estivemos juntos. Acolheram a mim como um filho, um neto, um irmão, enfim, como sou grato a eles!
Profissionalmente não tenho nada do que reclamar. Estagiei em lugares maravilhosos como a revista Ciência Hoje e o Sportv, onde recebi minha formação verdadeiramente e aprendi a amar televisão. Nesse sentido, só tenho a agradecer a pessoas como o Marcelo Barreto, que não só me encaminhou lá dentro como entendeu quando minha saúde não permitiu minha continuidade. Barreto me apresentou ao pessoal do Globoesporte.com assim que voltei a trabalhar. Pouco depois, me mudaria pra Barra, em dezembro de 2006.
Como repórter dos Jogos Pan-Americanos, contratado pelo próprio comitê organizador, tive uma experiência única. Ao lado de uma equipe de voluntários incrível, fiz amigos e tirei lições pra vida a partir da experiência na Arena Multiuso do Rio de Janeiro.
Se aprendi a ser uma eterna criança com minha mãe, meu pai me incutiu ainda mais responsabilidade e o senso de caridade com ações como a distribuição de sopa aos moradores de rua. Também foi com ele que comecei as atividades no espiritismo, um meio de autoconhecimento e alívio para a dor nos momentos mais difíceis.
De volta ao Sportv em novembro de 2007, graças ao convite de outros dois grandes amigos, o Armando Freitas e o Luiz Franco – o Lufi -, tive a chance de retornar ao meu lar profissional. Depois fui contratado para fazer parte do Sportv News, sob a coordenação do Chafi Haddad, um dos melhores chefes que já tive na vida, pela compreensão, firmeza, serenidade e conhecimento. O Sportv foi a sexta casa da minha vida. Lá passei por momentos maravilhosos e alguns de apreensão. Foi onde a doença se manifestou de forma mais intensa.
Por falar nela, acho que é o momento de agradecer também aos profissionais que me deram apoio, como a Sônia, o Daniel, o Antônio, a Verônica e os doutores Sérgio e Marcos. Todos me ajudaram a aliviar o peso das crises e, quem diria!, em meio a isso tudo, ter morado sozinho, voltado a trabalhar e, acima de tudo, entender o que se passava com o meu corpo.
Já cheguei a crer que tudo não passava de um pesadelo, já imaginei que a batalha estava perdida, mas entre vitórias e derrotas ficou a certeza de que nada é por acaso. O aprendizado que tirei desse sofrimento me ajudou a crescer muito. É quando me volto a Deus e agradeço novamente por essa existência.
Todos me ajudaram muito a ter 27 anos da melhor vida que eu podia, tanto espiritual quanto materialmente falando. E agora, que começo a me recuperar, sinto que é o momento de agradecer. Obrigado Pai, Mãe, Ângela, Marcelo, Gabi, Bella, Juninho, Gabriel, Andreia, Márcia, Cristina, Marilene, Sérgio, Baptista, Maria Sena, Sérgio Thiesen, Greici, Luiz, Josué, Barreto, Armando, Lufi, Chafi, Mari, Serra, Isabel, Victor, Ana Paula, Néia, Dani e tantos amigos que eu fiz em casa, no trabalho e grupos espíritas que participei. Obrigado ao Diego por viabilizar o sonho de entrar na faculdade e ensinar. Obrigado, Jô, por estar me ajudando a buscar a felicidade e me fazer tão bem!
Obrigado também aos meus avós - valeu, vó, sei que a senhora está olhando por nós agora -, tios, primos e parentes emprestados, todos lá de Minas (BH, Oliveira e Carmo da Mata), minha madrinha Luci e meu padrinho Nemésio. Como foram importantes pra mim e como tenho que agradecer a Papai do Céu por eles existirem. Às inúmeras falanges espirituais que me acompanham ao longo de minha existência, em especial meu Anjo da Guarda. E, finalmente, a um amigo especial que me acompanhou nos melhores e piores momentos da minha vida. Valeu, Felipe! Você foi meu braço direito. Sou eternamente grato pela tua alegria, companheirismo e fé.
Nada é por acaso. O importante é fazer dos pequenos momentos grandes aprendizados. A eternidade se constroi na linha tênue entre o espaço palpável e o tempo intangível. Deus abençoe a todos nós. Agora e sempre.
domingo, 13 de setembro de 2009
Paixões em Valência
Foi uma ligação simples, mas avassaladora.
Dois gênios. Ele, liberal, sempre à esquerda. Ela, reservada, mais à direita.
Num golpe do acaso, se viram atraídos em Valência. Moravam longe, mas nada que aquela ponte não resolvesse.
Aos poucos, perceberam que se completavam. Ele tinha a oferecer o que preenchia seu vazio existencial. E não tardou para encontrarem a química ideal: elétricos de tão radiantes!
Mas relação, sabe como é. Ele acha que o laço é forte, ela se faz de desentendida e, por tabela, começam a sentir falta de algo.
Ele, sempre confortável em sua pseudo-doação, mal percebe que ela precisa de algo mais.
A união começa a se desgastar e logo ele se dá conta: há um outro elemento na história!
Começam a discutir na ligação: "Quantas pontes atravessei para te ver? E, de mais a mais, nos completávamos em uma química sólida!"
"De mais a mais, vírgula", ela retrucou. "E tampouco podemos dizer que é uma relação sólida", desdenhou.
"Mas você me traiu com esse mau-elemento!", esbaforiu irritado.
"Igualzinho a você. Aliás, vocês H são todos iguais..."
"Aqui, Ó!"
A instabilidade atingiu em cheio o núcleo da relação e tudo já parecia ir por água abaixo. Impossível ficar neutro diante de tamanho constrangimento.
Aí lhe ocorreu a ideia de gênio...
"Vá. Abra, sua ingrata.."
"Vê lá o que vai ser essa caixa."
"Já disse que pode abrir..."
Incrédula, desfez o mistério. E qual não foi a surpresa...
"Um anel! Que lindo!"
Foi a chave para reatar a ligação. Ele prometeu-lhe uma vida mais estável e dedicada dali em diante. Na semana seguinte, foram ao padre que, benzeno o anel, proclamou:
"Sejam felizes para sempre!"
E a velha Valência ficou pequena para eles dois...
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