terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Luz e sombras




Certo dia, um grupo de turistas perdeu-se numa caverna escura. Foram horas de apreensão até que um dos integrantes pediu desesperadamente que lhes viesse alguma ideia, alguma voz que lhes ajudasse a sair dali. E o grupo ouviu uníssono: acendam a luz que está com vocês.



Enquanto a maior parte do grupo gastou as últimas cargas de suas lanternas para iluminar paredes do labirinto, um deles parou e deu voz a um sentimento que lhe dizia onde estar a saída. Caminhou solitário na escuridão sem pensar, mas convicto de que o fim estava próximo. Assim chegou em poucos minutos a um facho de luz. 


Deu-se conta da mensagem inicial. Grandes soluções para nossos enigmas volta e meia estão diante dos nossos olhos, mas é preciso fazer brilhar a nossa luz. Não a que esperamos chegar num passe de mágica - afinal onde o mérito sem esforço? - mas a centelha que brota quando nos conectamos aos nossos pensamentos mais positivos. Essa é a nossa verdadeira conexão com nossos princípios vitais. Orienta desde o ser vivo mais rudimentar, se aprimorando nos reinos seguintes para se transformar em instinto, sensação e intuição.


Ela brilha quando desaceleramos nosso ritmo artificialmente imposto pelas exigências de uma sociedade voraz. Basta parar por alguns instantes, recolher-se e elevar o pensamento. Elevar não significa necessariamente rogar a um Deus, ou teríamos excluídos da plenitude os que nele não creem. É sintonizarmos as ideias num patamar de quietude e serenidade para, então, agir sob a percepção clara em lugar das ideias pré-concebidas e das emoções desenfreadas.


No conto, a lanterna que o grupo acende pode ser entendida como a luz que muitos buscam fora de si, crendo mais nos conceitos engendrados de fora para dentro do que os construídos a partir da centelha de cada um. As soluções artificiais em nosso dia-a-dia quase sempre aparecem na forma de fuga - de nossas convicções, de nosso passado ou de nossa felicidade, que tantas vezes sacrificamos em nossas autopunições. E mesmo os que pretensamente alegam coragem de algum modo podem estar em fuga, armando-se de espadas e escudos contra o mundo para esconder a fraqueza de sua luta diante de si próprios.


Que brilhe sempre a nossa luz, mas que, antes de tudo, saibamos onde e como encontrá-la.